QUANTO VALE O INGRESSO PARA ENTRAR NO SEU MINISTÉRIO?




Esta foi uma pergunta de um pregador. - Quanto vale o ingresso para entrar no seu ministério? O texto bíblico chave: 

Jonas 1:1  Veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo:
2  Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.
3  Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis; e, tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR.
4  Mas o SENHOR lançou sobre o mar um forte vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava a ponto de se despedaçar.
5  Então, os marinheiros, cheios de medo, clamavam cada um ao seu deus e lançavam ao mar a carga que estava no navio, para o aliviarem do peso dela. Jonas, porém, havia descido ao porão e se deitado; e dormia profundamente.
6  Chegou-se a ele o mestre do navio e lhe disse: Que se passa contigo? Agarrado no sono? Levanta-te, invoca o teu deus; talvez, assim, esse deus se lembre de nós, para que não pereçamos.


O capitão do navio encontra Jonas dormindo no porão em meio à uma tempestade. Jonas não deveria estar ali naquela embarcação indo para um lugar aonde Deus não mandara ir.

Para o pregador, Jonas estava legalmente certo em estar ali, pois pagara o “ingresso” para a viagem. Então a pergunta pertinente (Quanto vale o ingresso para entrar no seu ministério? ) faz um paralelo em comparação com líderes ministeriais que permitem pessoas influentes em seus ministérios a qualquer custo, porque estas pessoas pregam bem, cantam bem, ou seja, vão trazer algum benefício ao dono do negócio. 

 
Não estou aqui para julgar esta mensagem, a mensagem central no livro de Jonas não é a respeito do capitão do navio, mas achei interessante a abordagem do pregador e por isto gostaria de compartilhar algo que me chamou atenção.

O curioso na pergunta não foi o ingresso, nem o seu valor, há algo muito sério nesta pergunta, são apenas duas palavrinhas: 
Seu ministério.


Ao contrário do que podemos pensar o ministério na pergunta não está em segundo plano, ela aponta para algo comum nestes dias, para aquilo que é meu: meu ministério, meu trabalho, minha igreja, meu talento, meu cargo, minha voz, minha mensagem, minha pregação, minhas ovelhas, meu poder, meu dinheiro, meu show, minhas músicas, minha unção, meu poder....meu...meu...meu...

Direcionar o ministério como 'meu' aponta para a negociação de um princípio inegociável para o Senhor, a mordomia cristã. Veja como Jesus relata em parábolas as consequências de um mordomo fiel e um mordomo negligente.

Lucas 12:42 a 48 - Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Verdadeiramente, vos digo que lhe confiará todos os seus bens. Mas, se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os infiéis. Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.

No texto bíblico que o
pregador se refere, o próprio profeta Jonas sugere que o líder daquela navegação deveria livrar-se do problema, a tempestade se acalmaria se Jonas fosse excluído da embarcação. E Jonas foi lançado para fora.

É justamente isto que estamos vendo em nossos dias? Pessoas serem compradas, usadas e descartadas para benefício do líder? Se estiver fora da visão, se nos dá problemas, se não confiamos, se não se submete, jogaremos ao mar.

Mas se o ingresso é vendido dentro da lei estabelecida e está tudo bem, está favorecendo a embarcação, está favorecendo a igreja ou um contrato de um show, melhor dizendo, em tempos da “maré mansa” submeta-se legalmente aos interesses do líder daquele negócio e tudo irá bem.

Lançar pessoas ao mar é mais fácil porque se livra do problema, da tempestade, mas não é atitude de líder, é uma atitude de gerente.

Como é grande a diferença em se ter uma função específica e liderar. Enquanto o gerente administra coisas e funções, o líder sempre valoriza pessoas. O foco do gerente é o resultado das tarefas realizadas pelas pessoas, é apegado e centralizado no resultado.

Ao contrário do gerente, o líder prioriza o bem estar emocional, físico e espiritual das pessoas, porque ama as pessoas, as trata com respeito e não como se fossem suas. As pessoas para ele não são apenas números ou propriedade e os resultados que elas podem trazer estão em segundo plano.

Um líder é interessado nas pessoas e não interesseiro.

Filipenses 2:3 - Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.

Há uma definição de liderança: “é a capacidade de trazer o liderado para si.”

Um líder ministerial antes de tudo deve ser um líder espiritual, conduzindo as pessoas para Deus e não para si mesmo. A igreja é o corpo de Cristo e cada membro é importante para o líder, não porque a função é importante, mas porque sem o membro a função não existe no corpo, a menos que se faça um “implante”. E quantos capitães agregam membros “implantados” nas embarcações?

O mundo ministerial eclesiástico passou a ser um plano de carreira, as pessoas querem estar em evidência, ser bem sucedidas como no mundo profissional.

Porque não dizer que estas atitudes são o resultado de uma influência cultural ou até mesmo espiritual? A busca frenética de ser evoluído, ser melhor, ser próspero, através da aceitação de um evangelho ou filosofia, segundo o pensamento de alguém, o qual se acredita que a pessoa que prega está em primeiro lugar. Exemplo: “Evangelho segundo o fulano de tal.”

E não precisa ser eclesiástico, o ministério de um pastor-músico-gospel por exemplo, não precisa ser dentro de uma instituição religiosa, pode ser em um estádio. Portanto que se pague o “ingresso”, ou melhor, que se cumpra o contrato está tudo bem para ambas as partes e assim estamos fundamentados no legalismo.

Pregar e cantar têm sido um bom negócio em nome de Deus.

Filipenses 2:4 - Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.

A igreja está longe de ser ministério de alguém. Ela é o corpo de Cristo. Seja qual for a função, como membro do corpo, tudo deve ser feito para o cabeça da Igreja – Jesus Cristo – ninguém pode considerar o ministério seja propriamente seu, porque não é. Este princípio é inegociável, quem negociar e trocar o lugar de Jesus Cristo por si mesmo, ou por outro alguém ou objeto, estará submetendo-se a uma idolatria.

Filipenses 2: 5 a 11 - Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.

Portanto não se enganem, ministério pertence somente a Deus e o preço do ingresso foi pago pelo seu Filho.


A entrada para este ministério é crer e confessar que Jesus Cristo é o Senhor, aquele que se humilhou para que tivéssemos acesso ao ministério da reconciliação com Deus, está tudo pago na cruz por um preço de sangue.

Já que está tudo pago, só nos resta entregar o convite da graça e não vendê-la.

Carla Berigo - 17.08.2013

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